Entre os textos mais antigos que escrevi encontra-se este breve exercício de reflexão sobre o abraço. Recupero-o agora para esta nova plataforma por considerar que a sua mensagem permanece actual.
Num tempo em que tantas vezes se subestimam os gestos mais simples, o abraço continua a constituir uma das mais profundas expressões de afecto, conforto e presença. Este texto é, por isso, dedicado a todos aqueles que, nos momentos mais difíceis da sua vida, encontram num simples abraço uma forma de amparo que as palavras nem sempre conseguem oferecer.
Abraça-me até que esse gesto me sufoque,
Até que as minhas lágrimas saltem dos meus olhos e escorram pela minha face,
Até que eu me misture e me funda num todo contigo.
Abraça-me até que o sol deixe de iluminar a Terra.
Até que o Universo seja finito,
Até que o meu coração pare de bater e recomece passado uma hora.
Abraça-me até que este grito interior silencie todo o barulho do mundo e o converta num silêncio profundo e universal.
Abraça-me de cada vez que sentires que a minha presença te falta e que a distância física nos separa,
Até que ambos, depois, tombemos para lados opostos, de mãos dadas.
Nota: Desenho a lápis: BSD, 1996.