Dizem, e com razão, que é a única palavra que só tem sentido na língua portuguesa.
Cresci com essa imagem e com ela prossigo, ainda que a mesma me faça doer as entranhas do meu ser.
O tempo passado, o tal que já não mais volta mais, traz-me a vontade de recuar.
Recuar a esses anos em que as dores da idade não se faziam sentir,
Em que tudo, e para tudo, a energia nunca faltava.
Aceitar o inevitável será, talvez, um exercício de nulo esforço, porque natural.
Assim como assumo a minha insanidade, também sei que existe em mim uma força enorme, mas que não consigo expressar, muito menos resistir.
De tudo isto tenho saudade.
Saudade do passado, dos momentos bonitos, dos momentos menos agradáveis, mas canto.
Canto as canções que sempre ouvi,
Os livros que sempre li,
Toco com a minha guitarra as músicas que gosto e isso aproxima a minha saudade da realidade.
Nem sei o que estou a escrever, mas sei, sem dúvida alguma, que vivo erradamente de saudades do passado.
De medo do futuro.
Os tempos actuais encaminham-nos para pensamentos positivos, levantar, saudar mais um dia, gratidão por estar vivo e essas coisas.
Mas a realidade de cada um é isso mesmo, uma diferenciação.
E não me venham dizer que estou errado, porque ninguém está errado do que sente no seu quotidiano.
Saudade, de ontem, de hoje e depois do segundo seguinte.
Acho que vou cristalizar este momento.